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Morre aos 56 anos, Marjane Satrapi, autora da aclamada graphic novel Persépolis

Antes de tudo, é importante destacar que a artista franco-iraniana Marjane Satrapi, autora da aclamada graphic novel Persépolis, faleceu aos 56 anos.

A notícia foi divulgada nesta quinta-feira (4 de junho) pela Agence France-Presse, que citou pessoas próximas à escritora. Em comunicado enviado à agência, a família declarou:

“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida.”

Mattias Ripa faleceu em 8 de abril do ano passado. Desde então, diversas publicações recentes no perfil de Instagram da autora expressavam a mesma dor, repetindo a mensagem: “Perdi o amor da minha vida”.

Conhecida por sua postura crítica em relação ao regime iraniano, Satrapi mudou-se para a França em 1994 e conquistou a nacionalidade francesa em 2006. Sua projeção internacional veio principalmente com Persépolis, obra na qual relata sua infância e adolescência em Teerã durante os anos que sucederam a Revolução Islâmica de 1979. Posteriormente, seus pais a enviaram para a Europa, experiência que também marcou profundamente sua trajetória.


Quem foi Marjane Satrapi?

Ao longo de sua carreira, Marjane Satrapi construiu uma obra vasta e marcante. Além de Persépolis, destacou-se por trabalhos como Frango com Ameixas e Bordados.

O sucesso de Persépolis ultrapassou fronteiras. A obra recebeu importantes premiações na França e em diversos países, incluindo o Prêmio de HQ do Ano da Feira do Livro de Frankfurt e o Prêmio Alex, concedido pela Associação de Bibliotecas dos Estados Unidos. Traduzido para cerca de 20 idiomas, o livro vendeu mais de 400 mil exemplares na França e alcançou aproximadamente 1,2 milhão de cópias em todo o mundo.

Muitos atribuem esse reconhecimento à capacidade da autora de transformar questões complexas e abstratas em histórias profundamente humanas e acessíveis. Essa característica tornou sua narrativa universal, permitindo que leitores de diferentes culturas se identificassem com sua experiência e com o contexto retratado na obra.

Entre seus trabalhos mais recentes e significativos está a graphic novel Mulher, Vida, Liberdade, publicada no aniversário da morte de Mahsa Amini. A jovem curda iraniana faleceu em setembro de 2022 sob custódia da chamada polícia da moralidade do Irã, após ser detida por supostamente descumprir o código de vestimenta islâmico. Sua morte desencadeou o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, uma das maiores mobilizações populares contra o regime iraniano nas últimas décadas.

Produzida em colaboração com mais de 20 ilustradores iranianos e estrangeiros, a obra foi lançada em francês e persa, oferecendo um panorama das lutas femininas e das raízes históricas do patriarcado e da misoginia no Irã.

Marjane Satrapi nasceu em 1969, na cidade de Rasht, mas cresceu em Teerã. Sua mãe era descendente de Naser al-Din Shah Qajar. Aos 14 anos, mudou-se para a Áustria para continuar os estudos. Após concluir o ensino médio, retornou ao Irã e ingressou na universidade.

Mais tarde, estabeleceu-se definitivamente na França, onde desenvolveu sua carreira artística, dedicando-se à pintura, à ilustração e à criação de livros que conquistaram leitores em todo o mundo.

Com sua obra, Marjane Satrapi deixou um legado de coragem, sensibilidade e reflexão, utilizando a arte para contar histórias pessoais que ajudaram milhões de pessoas a compreender melhor a realidade de seu país e as experiências humanas que ultrapassam fronteiras.

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