Pirataria pode aumentar venda de quadrinhos, diz estudo

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Um estudo publicado pelo professor Tatsuo Tanaka, da Faculdade de Economia da Keio University no Japão, revelou dados interessantes sobre os efeitos da disponibilidade acesso gratuito sobre o mercado de quadrinhos. Segundo o estudo, em alguns casos, o acesso a cópias gratuitas dos quadrinhos pode aumentar a vendagem deles.

Tanaka estudou o efeito da disponibilidade online gratuita dos mangás, quadrinhos tradicionais japoneses que são lançados de maneira serial (uma vez por semana, por exemplo). Ao todo, o estudo (pdf) contabilizou a vendagem de 3.360 volumes de 484 séries diferentes de mangás ao longo de oito meses.

Esses números não foram incidentais: segundo o pesquisador, as editoras japonesas de mangás pertencem a um grupo pró-restrição cultural chamado CODA. Entre julho de 2015 e março de 2016, o CODA promoveu uma camapnha maciça de deleção de cópias digitais ilegais de quadrinhos. Dessa maneira, a pesquisa pode facilmente comparar a vendagem dos mangás antes e depois da medida restritiva.

Resultados

Segundo Tanaka, os resultados da comparação foram duplos: para os mangás que ainda estavam sendo lançados, a disponibilidade de acesso gratuito a eles pela internet causava uma diminuição das vendas. Por outro lado, essa disponibilidade fazia com que a venda de mangás que já haviam se encerrado aumentasse.

Isso poderia, segundo Tanaka, ser devido a um “efeito publicidade” gerado pela disponibilidade digital dos mangás. Em outras palavras, o fato de os mangás antigos estarem disponíveis na internet acaba servindo como “propaganda” para os mangás que já se encerraram. Nesse caso, o acesso aos quadrinhos acaba reavivando o interesse dos leitores nele.

Implicações

Para o pesquisador, “um ponto importante que deve ser ressaltado é a implicação política desse resultado desigual da pirataria. Se o efeito da pirataria é desigual, desativar os sites piratas de maneira indiscriminada não é a melhor solução”. Isso porque, de acordo com seu estudo, a “pirataria” pode ajudar a venda de quadrinhos que já se encerraram.

Tanaka ressalta, no entanto, que não é possível dizer, de maneira taxativa, se a disponibilidade de acesso gratuito aos mangás é boa ou ruim para o mercado. Embora o ganho percentual que essa disponibilidade dê aos quadrinhos antigos seja muito maior que a perda percentual que ela dá aos quadrinhos novos, em números absolutos a situação é oposta.

Para dar um exemplo com números inventados: um mangá antigo pode vender 150 cópias em vez de 100 caso esteja disponível gratuitamente na internet. Por outro lado, um mangá novo pode vender 900 cópias em vez de 1000 caso esteja disponível. Embora o ganho percentual no primeiro caso seja superior à perda percentual no segundo (+50% contra – 10%), em números absolutos o ganho no primeiro caso é menor que a perda no segundo caso.

Outras áreas

O pesquisador ainda diz que há motivos para acreditar que os efeitos da “pirataria” sobre o mercado de mangás podem ser semelhantes aos efeitos da “pirataria” em outros mercados. Um estudo citado por ele revelou que a disponibilidade gratuita de música online diminuiu a vendagem de discos de artistas populares, mas aumentou as vendas de discos de artistas menores.

De fato, pesquisas diferentes conduzidas na Austrália e na Suécia já mostraram que a disponibilidade gratuita de cultura pode aumentar a quantia que as pessoas investem nesse setor. Esses estudos, que avaliavam o impacto da “pirataria” sobre os gastos com cultura, revelou que usuários que consumiam uma mistura de conteúdo legal e ilegal gastavam mais com esse setor do que os que apenas consumiam conteúdo legal.

Por GUSTAVO SUMARES
Artigo originalmente do https://olhardigital.uol.com.br

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