Entrevista: Marcos Lopes, 10 anos de Aventuras com o Zé Coruja
Marcos Lopes, criador do Zé Coruja e a fictícia cidade interiorana de Brejinho, onde as divertidas histórias dessa figura geralmente acontecem, chega aos dez anos de existência. A entrevista a seguir, busca apresentar ao público leitor e fãs, a trajetória do autor e da criatura.
O surgimento do Zé Coruja
As Aventuras do Zé Coruja completam dez anos de publicação. Como surgiu a ideia de criar o personagem? O que motivou sua criação e quais eram as características e objetivos que você imaginava para o Zé Coruja quando ele apareceu pela primeira vez?

Bem, Já há muitos anos, eu sempre gostei de personagens fabulosos, como animais que se vestiam como gente, ia ao trabalho, escola e viviam situações como nós humanos. Embora, nos primórdios eu gostava também de desenhar histórias de ficção científica (uma paixão minha também.), achei que desenhava melhor o estilo infantil. No final dos anos ’80 (acho), resolvi criar o personagem ZÉ CORUJA, como já sugere o nome, é uma corujinha que se veste como um cangaceiro e vive suas aventuras no
sertão do interior de Pernambuco junto com o seu inseparável companheiro de aventuras TATU. Não tinha a pretensão de tornar o personagem o que ele se tornou hoje. No início, os roteiros eram autorais e um pouco toscos, mas no início dos anos ’90, conheci o pessoal da PADA e aí com o passar dos anos a trajetória do personagem foi mudando de maneira muito satisfatória daí pra frente. Com roteiros mais elaborados por ARNALDO LUÍZ, FÁBIO CASSIANO, VALCIR e agora MILSON, as histórias do ZÉ CORUJA se tornaram muito mais engraçadas com roteiros de temas variados entre o REGIONAL e o UNIVERSAL. Ah! Lembrando que, eu ainda faço uns roteiros autorais também como foram vistos em algumas edições da revista.
Dez anos de histórias e momentos marcantes.
Ao longo desses dez anos, várias edições e histórias ajudaram a construir a trajetória do Zé Coruja. Quais momentos você considera mais marcantes nessa caminhada? Existe alguma edição que tenha proporcionado uma experiência especialmente importante ou inesquecível para você como autor e desenhista?

Sim! Momentos realmente marcantes aconteceram. Eu arrisco dizer que talvez um pouco antes de ser publicada a primeira edição da revista própria do Zé Coruja foi a primeira grande SAGA do personagem publicada nas edições da PRISMARTE (33, 34 e 35 entre Julho e Setembro de 2006) chamada de A GRANDE JORNADA dividida em três partes (A CARTA, O CONTRATO e A VIDA EM QUADROS com roteiro de ARNALDO LUIZ) onde o personagem começou a ter suas aventuras bem elaboradas e ganhar mais destaque nos quadrinhos pernambucanos. Outro grande momento pra mim foi a ideia do nosso amigo e editor MILSON MARINS dar a ideia de lançar a revista própria do personagem chamada AS AVENTURAS DO ZÉ CORUJA. Foi muito bom ao eu ver impressa a primeira edição da revista em minhas mãos com o nome próprio do Zé Coruja na capa. E hoje já estamos na edição 24. Isso é ótimo! Agradeço muito ao MILSON por essa brilhante sacada editorial.
O regional e o global nas histórias
O Zé Coruja transita entre o regional e o universal, aproximando elementos da cultura pernambucana de temas e referências globais. O que o levou a explorar essa relação entre o local e o global? Qual é a importância, para você, de fazer um personagem regional dialogar com culturas, acontecimentos e temas que ultrapassam as fronteiras de Pernambuco?

Eu sempre fui fã da literatura infantil universal! Principalmente por que nela tem aqueles elementos fabulosos que citei numa resposta mais acima. A oportunidade que tive de mostrar essa paixão pelo universal nos quadrinhos do ZÉ CORUJA foi com a trilogia Fúria de Tantãs onde fazemos uma paródia da história dos TRÊS PORQUINHOS só que invertida. Esse roteiro brilhante e engraçado foi escrito por ARNALDO LUÍZ fez o vilão inimigo de o ZÉ CORUJA chamado ZÉ PORCO perseguir e destruir a casa de três humildes lobinhos numa disputa por terrenos no interior de PERNAMBUCO na fictícia cidade de BREJINHO. Reparem aqui a inversão do conto da literatura universal onde o vilão é um porco e as vítimas são três lobinhos. Noutra oportunidade, desenhei uma história, também de
ARNALDO LUÍZ que parodiava os filmes de ficção científica como 2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO numa história chamada A CORUJA POUSOU! O ZÉ CORUJA de maneira “voluntária” através do seu amigo TATU se inscreve no PROGRAMA ESPACIAL PERNAMBUCANO para ser o primeiro cidadão brejinhense à viajar e pousar na Lua. Imagina o absurdo! KKKKK! Outro tema da literatura universal que gosto de explorar é a pré história e os dinossauros. Num roteiro autoral, escrevi e desenhei a história O MOCORONGOSAURO onde os antepassados pré históricos do ZÉ CORUJA e o TATU vivem uma grande aventura enfrentando um grande perigo no meio de dinossauros. O nosso personagem está aí disposto à encarar qualquer aventura, em qualquer universo, em qualquer época e em qualquer roteiro que mandarem pra mim.
A personalidade do personagem
Como você definiria a personalidade do Zé Coruja ao longo de sua trajetória? De que maneira essa personalidade foi se transformando com o passar dos anos? Existe alguma característica do personagem que tenha sido inspirada em você, em pessoas que conhece ou em situações vivenciadas ao longo da sua própria trajetória?
O ZÉ CORUJA é aquele carinha um pouco estourado e ao mesmo tempo super gentil e educado. Pra ele ser estourado é quando ele vê alguma injustiça e não quer deixar barato e parte para ajudar quem precisar! Vimos isso na maioria das histórias! Embora na maioria das vezes, o ZÉ quer estar sossegado em sua humilde casinha na roça e muitas vezes o TATU vem e arrasta ele pra alguma sinuca onde ele não gostaria de estar. Isso é o que torna as histórias do personagem muito engraçada. Ele gosta de ajudar quem precisa como um nordestino e pernambucano que se preza. Acho que a única coisa que tem no ZÉ CORUJA e que possa ter a ver comigo é o fato de gostar de sossego e não gostar de injustiça! Acho que é isso que eu percebo! KKKKKKK
As animações do Zé Coruja
Além dos quadrinhos, o Zé Coruja também ganhou um espaço no audiovisual com o projeto de animações “CURTINHAS DO ZÉ CORUJA”. O que motivou a criação das animações? Quais são os objetivos desse projeto e o que você pretende alcançar ao levar o personagem dos quadrinhos para outras linguagens?

DESENHO ANIMADO é outra paixão minha! Não só no sentido de assistir, como também produzir as animações com o meu personagem! Desde que eu comecei a desenhar histórias dele ficava imaginando ele em movimento num filme de desenho animado! Desde criança eu assistia aquelas animações da WARNNER e da DISNEY dos anos ’40 e ’50 e achava de mais. Parecia livro infantil em movimento. Com o advento e da popularidade do computador pessoal e alguns softwares para editar desenhos, eu me arrisquei à fazer uma história curtinha do ZÉ CORUJA e com a ajuda de um amigo meu (MARCOS PEDRO), criamos o canal CURTINHAS DO ZÉ CORUJA no YOUTUBE e temos quatro animações curtinhas do personagem lá. Temos duas animações em andamento. Uma em fase de edição no vídeo e outra ainda estou desenhando! Infelizmente demora um pouco pra estar postada, mas vai estar lá sim Se DEUS quiser!
Quadrinhos regionais para o público infanto-juvenil
A produção de quadrinhos em Pernambuco ainda conta com poucos personagens voltados especificamente ao público infanto-juvenil que trabalhem diretamente com temas e referências regionais. Na sua visão, qual é a importância de oferecer a crianças e jovens histórias que apresentem a cultura, os costumes, os espaços e a identidade de sua própria região? Como os quadrinhos podem contribuir para aproximar esse público da cultura pernambucana?
Pois é, eu conheço muito pouco de trabalhos com personagens infantis criados em Pernambuco! Um dos poucos que conheço é O MINOTAURO do já citado aqui desenhista e roteirista ARNALDO LUÍZ. Não me lembro de outros aqui nesse momento e peço até desculpar por isso! Acredito que se tivéssemos mais personagens voltados pro público regional infantil, mostrando a nossa cultura, o nosso modo de vida, e mesmo que misturasse um pouco da cultura regional e universal, isso ajudaria a construir melhor a identidade do nosso povo! Os quadrinhos, assim como livros escolares podem ajudar muito nisso! Mas creio também que falta incentivo por parte dos dirigentes nessa parte.
Os próximos dez anos do Zé Coruja
Depois de uma década de publicação, quais são os planos para a continuidade de “As Aventuras do Zé Coruja”? Existem novas histórias, projetos editoriais, animações, participações em eventos ou outras iniciativas planejadas para os próximos anos? E, olhando para o futuro, o que você ainda gostaria de realizar com o personagem?

Uma década de publicação da revista num instante se passou, não foi? Por isso pra ter a sensação de que o ZÉ CORUJA está aí preciso fazer por mais 10 anos! Lembrando que são 10 anos da revista, mas o personagem está aí desde o final dos anos ’80! KKKKK! Se DEUS quiser, nos próximos 10 anos quero estar com mais animações postadas no canal no YOUTUBE, desenhar mais histórias para as próximas revistas, há uma idéia em mente do nosso editor de fazermos álbum com uma ou alguma das melhores histórias do ZÉ CORUJA já publicadas. Já participei também de alguns eventos como FEIRAS DE QUADRINHOS e FEIRA CULTURAL e se DEUS quiser participar de outros eventos importantes relacionados à esse universo que é o mundo dos quadrinhos e da animação! Quero aproveitar e dizer aqui que agradeço à todos que me apoiaram nessa JORNADA com o meu trabalho, pois sem DEUS e sem a ajuda de vocês da PADA PUBLICAÇÕES e outras pessoas que me ajudaram nessa trajetória, acho que ainda estaria só desenhando e acumulando trabalho sem ter como mostrar ao público! À todos vocês muito obrigado mesmo!
No site da Prismarte Editora esta disponível todas edições do Zé Coruja e a mais novas edições que estão no link abaixo.
As Aventuras do Zé Coruja 23 – O Pior Pesadelo, com presença especial de Mickey(1928)
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