Astista Mulher, HQ quer retrata e trata os preconceitos contra mulheres nos quadrinhos.

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Em 2016, a editora e publicitária gaúcha Cris Camargo deu uma guinada na carreira e decidiu se dedicar ao que mais ama: os quadrinhos. Desde então, começou a participar de eventos de cultura pop no Brasil e no exterior apresentando a sua arte e vendendo suas HQs, sempre de maneira independente.

Mas Cris  percebeu que o ambiente da cultura pop ainda é majoritariamente masculino e machista e ela resolveu canalizar para os quadrinhos as situações preconceituosas que vivenciou ou testemunhou nesses eventos. O resultado é a HQ Ser Artista Mulher É?, em que retrata 22 situações (sendo 15 sofridas por ela) de machismo na área.

Cris percebeu também que ainda vigora uma antiga noção cultural que classifica desenho, quadrinhos, ilustração e pintura como competências masculinas. “Ainda persiste uma mentalidade de que quadrinhos são coisa de ‘homem’, e infelizmente boa parte do público nerd masculino médio ainda é muito preconceituoso e conservador”.

Os quadrinhos retratam situações graves sofridas por mulheres que vão do assédio à invisibilidade das autoras. “Eu, por exemplo, sofri assédio por parte de um cara que me perseguiu por vários eventos seguidos. Contatei minha advogada, fiz B.O. e a organização do evento tomou as devidas providências”, disse.

A HQ retrata de maneira bem-humorada as diversas situações de preconceito e assédio que as mulheres (especialmente as quadrinistas) são submetidas nessas feiras. O preconceito se estende também ao ambiente virtual. Em sua página no Facebook, Cris costuma receber comentários ofensivos e já recebeu até ameaças de morte de homens que criticam seus quadrinhos.

Dentre as situações descritas por Cris estão algumas aparentemente inofensivas, como perguntar “onde está o autor daqueles desenhos”, sem perceber que a autora é uma mulher, ou criticar um desenho sombrio ou mais agressivo dizendo que “mulher tem que fazer trabalhos mais delicados”.

A boa notícia é que o número de mulheres quadrinistas está aumentando desde 2015. Cris estima que cerca 35% dos quadrinistas que participam de feiras de cultura pop atualmente são mulheres. “Ainda é pouco, mas estamos ganhando cada vez mais espaço”, disse, apontando como exemplo no Brasil as meninas do Studio Seasons (Montserrat, Simone Beatriz e Sylvia Feer), a Lu Caffagi e a Laura Athayde. No exterior, ela aponta Marjane Satrapi e Gail Simone.

“A coletânea não pretende apenas denunciar as diferenças de tratamento no meio artístico, mas também conscientizar sobre a desigualdade de gênero que ainda existe”, concluiu.

Como se trata de uma publicação independente, ela pode ser comprada por R$ 20 direto com a  Cris no facebook ou nas feiras e eventos de cultura pop.

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