Quadrinhos chamam atenção para a chacina de Unaí


Cada vez mais os quadrinhos são usados no jornalismo, nas denuncias, e vão além do entretenimento e vão se tornando veículos de denuncia contra corrupção, como é o caso de Themys que produzimos aqui na PADA Produções. Este artigo abaixo confirma esse tendencia.

Em 2004, três auditores do trabalho e um motorista foram assassinados a mando de proprietários de terra em Minas Gerais

O ano de 201.7 foi marcado por uma drástica redução nas ações de fiscalização contra o trabalho escravo no Brasil. Segundo dados do Ministério cio Trabalho, foram 88, contra 106 em 2016. O patamar é o mais baixo desde 2005. Consequentemente, caiu também o número de pessoas resgatadas, de 658 em 2016 para 341.

O recuo se dá em uni contexto de contingenciamento fiscal sob o governo Temer: a verba da Secretaria de Inspeção do Ministério do Trabalho foi reduzida em 2017 de RS 33,2 milhões para RS 10 milhões. Em paralelo, o governo afrouxou em outubro a definição do que  é trabalho escravo – a decisão foi suspensa pelo Supremo.

As medidas foram alvo de protestos de fiscais do trabalho, que são aqueles responsáveis por ir a empresas verificar denúncias de que trabalhadores são sujeitados a condições degradantes. Em meio a essa crise pontual, uma campanha lançada em janeiro de 2018 pelo Sinait (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho) busca chamar atenção para um caso antigo que se tornou símbolo dos interesses com que esses profissionais lidam e os riscos enfrentados por eles.

A campanha relembra o assassinato a tiros em 2004 dos auditores do trabalho Erastóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e do motorista do Ministério do Trabalho Ailton Pereira de Oliveira. Eles foram mortos em um carro, a caminho de uma inspeção no município de Unaí, em Minas Gerais. Nelson José da Silva vinha investigando suspeitas de irregularidades em uma propriedade dos irmãos Antério e Norberto Mânica. Antério foi prefeito de Unaí até 2013

O caso é contado em uma história em quadrinhos com 15 imagens, divididas em três capítulos publicados na seção “stories” da contado Sinait no Instagram e no site da entidade. O trabalho é do jornalista e quadrinista Alexandre de Maio. Auditores do trabalho também realizaram atos de protesto em diversas capitais do país.

Como está o julgamento do caso

Ainda em 2004, nove pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como executores, intermediários e mandantes do crime, entre elas os irmãos Mânica.

Segundo informações da Agência Brasil, os executores cio crime, Rogério Alan Rocha Rios, Erinaldo de Vasconcelos Silva e William Gomes de Miranda foram condenados por homicídio e cumprem pena desde 2013. Os mandantes, os irmãos Mânica os empresários Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro, foram condenados pela Justiça Federal em outubro de 2015, mas recorreram da sentença e respondem em liberdade.

A defesa dos mandantes busca com os recursos anular a sentença e obter um julgamento em Unaí, e não em Belo Horizonte. Desde 2009, o Sinait relembra anualmente o caso e a memória dos auditores assassinados na Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Texto original de André Cabette Fábio 02 Fev 2018 (atualizado 02/Fev 13h06) https://www.nexojornal.com.br

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