Antologia reúne quadrinhos clássicos lançados nos EUA entre 1930 e 1950


Publicação traz histórias assinadas por Jack Kirby, Basil Wolverton e Steve Ditko

Trabalho meticuloso de pesquisa e restauração, a antologia “Os morcegos-cérebro de Vênus e outras histórias” (Editora Mino) reúne 32 quadrinhos de ficção científica, assinados por 23 artistas americanos de reputação histórica. Os nomes dos desenhistas vão de Alex Toth a Wally Wood, passando por Jack Kirby, Basil Wolverton, Joe Kubert, Joe Shuster e Steve Ditko — sim, ele mesmo, Ditko, o parceiro de Stan Lee na criação do Homem-Aranha. O álbum foi lançado no último fim de semana durante a sexta edição da Ugra Fest, feira de HQ’s e publicações independentes realizada anualmente em São Paulo.

Todas as histórias incluídas no volume são de domínio público. Foram lançadas nos Estados Unidos entre 1939 e 1954, período considerado pelos especialistas como Era de Ouro dos quadrinhos americanos. Elas chegaram à apreciação dos leitores sem a censura autoimposta pelo Comic Code Authority (CCA), o famigerado código que regia as editoras americanas e impedia a publicação de tudo que ferisse a moral e os bons costumes no país.

Deve-se à curiosidade e ao empenho dos editores Carlos Junqueira e Lauro Larsen a materialização dessa preciosidade. Quem teve o primeiro estalo foi Junqueira, cenógrafo e colecionador de quadrinhos. Há dois anos, ao comprar uma revista que reproduzia comics americanos antigos, ele decidiu que conseguiria ser mais cuidadoso:

— Pareciam páginas retiradas da internet e impressas em papel. Por trabalhar com artes gráficas, achei que poderia fazer muito melhor — diz.

Primeiro, Junqueira desenvolveu um método de restauração dessas histórias antigas, obtidas muitas vezes a partir de escaneamentos feitos por colecionadores de quadrinhos. Ao mesmo tempo, o artista gráfico começou a pesquisar em dois grandes arquivos: o Comic Book Plus e o Digital Comic Museum. Após os primeiros testes, ele apresentou o projeto para Larsen, que o encaminhou à sua antiga editora, a Mino, capitaneada agora pela ex-mulher Janaína de Luna.

Publicadas originalmente em cores, as histórias receberam um tratamento gráfico diferente nessa nova edição. Perderam o colorido, mas ganharam na adequação feita pelo designer Thiago Ferreira, que fez uma uma nova diagramação para as páginas e cuidou da adaptação dos balões e letreiros. Para cuidar da tradução, foi chamado Diego Gerlach, um especialista e conhecedor tanto de quadrinhos quanto do gênero abordado.

— Essas histórias eram publicadas em revistas de massa. As cores não tinham, como hoje, uma função narrativa e orgânica. Como seria difícil encontrar os tons originais e encareceria muito o produto final, resolvemos deixar em preto-e-branco e valorizar os traços dos artistas — explica Larsen.

A história que dá título ao livro, “Os morcegos-cérebro de Vênus” (1952), tem a assinatura de Basil Wolverton, autor também de “A mulher-robô” (1952). Autodidata e dono de uma criatividade ímpar para criar monstros assustadores, Wolverton faria fama posteriormente na revista “Mad”.

Há outras curiosidades. No período coberto, grande parte dos artistas, embora já tivesse criado grandes super-heróis, ainda não havia conquistado fama. Criadores em 1941 do Capitão América, Jack Kirby e Joe Simon, presentes no volume com a história “O anjo da morte”(1952), não são exceção. Kirby, que em parceria com Stan Lee inventaria mais tarde o Quarteto Fantástico, Hulk e Thor, também assina a arte de “Cosmic Carson” (1940). Steve Ditko, coautor, com Lee, do Homem-Aranha em 1941, também comparece com duas histórias: “Sentença de morte” (1954) e “Estimativa letal” (1954).

Depois de “Os morcegos-cérebro de Vênus e outras histórias”, a ideia é transformar o projeto em uma coleção com volumes temáticos. No seu levantamento, Junqueira encontrou outros gêneros, além da ficção científica. Larsen diz que está trabalhando em um novo volume, com quadrinhos de terror:

— Íamos esperar para ver a resposta do público para este primeiro volume, mas a pré-venda está indo tão bem que não tem como errar. Temos outras propostas, como histórias policiais, de guerra e até romance — revela ele.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/cultura/antologia-reune-quadrinhos-classicos-lancados-nos-eua-entre-1930-1950-21597104#ixzz4nkJm8PhR
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