Entrevista com Marcelo Schmitz, criador do Amaro Camarajipe


Amaro Camarajipe desenhado por André Persi

Amaro Camarajipe desenhado por André Persi

MARCELO SCHMITZ é jornalista (trabalhou no Jornal do Commercio entre outros) e também já foi publicitário em agências como a Propeg. Foi desenhista do jornal interno da Xerox do Brasil e publicou tiras na extinta revista Nordeste Hoje trabalha na cubana Pablo. Em 1994  publicou na  Prismarte nº04 o que seria a primeira história quadrinizada do Amaro Camarajipe, Bang, Bat!, desenhada por Euzébio Muñoz! Foi um sucesso, que com a retomada da Prismarte em 2003, vieram sucessões de histórias que culminaram em 12 premiações, que tornaram o Amaro Camarajipe o personagem mais premiado dos Melhores da Prismarte.

Nesse ano, o Amaro Camarajipe comemora 25 anos de quadrinhos, que teve um edição Prismarte nº62 – 25 anos do Amaro Camarajipe, lançada na CCXP Nordeste, cuja a história de capa foi desenhada por Milton Estevam. Nessa entrevista ele fala das tristezas e alegrias durante esses 25 anos publicando o atrapalhado, ou como ele costuma dizer, burro (pouco instruído nas letras) Amaro Camarajipe.

1 – COMO SURGIU A IDEIA DE CRIAR O AMARO CAMARAJIPE? E O PORQUE DO NOME CAMARAJIPE?

Eu queria criar um personagem para uma peça de teatro na escola, quando tinha 13 anos. Eu já estava com a ideia na cabeça. Faltava o nome e a empolgação. A segunda veio com o primeiro, quando um professor falou sobre a figura histórica de Amaro Camaragibe. Achei que o nome ficaria divertido se dito ao estilo James Bond. Só fiz alterar um pouco o sobrenome para Camarajipe.

2 – ANTES DE ESTREAR NOS QUADRINHOS, O AMARO CAMARAJIPE ESTEVE EM OUTRA MÍDIA! COMO FOI ESSA PASSAGEM ATÉ OS QUADRINHOS?

Fiz umas peças de teatro meio nonsense com ele na escola, além de uns contos e roteiros de quadrinhos. Até que, em 1989, meu amigo Eusebio Muñoz me pediu para escrever uma HQ do Batman para ele desenhar, em comemoração aos 50 anos do Homem-Morcego. Só que eu disse pra ele algo como: “eu adoro super-heróis, mas não sei escrever para o gênero. Meu negócio é humor. Se quiser que eu faça uma história do Batman de humor, eu faço”. Ele topou. Daí eu coloquei o Amaro Camarajipe na coisa e pronto. Em 1992, publicamos oficialmente na Prismarte nº 4. Nesse mesmo ano, fiz um programa de rádio experimental para a Rádio Unicap, da Universidade Católica.

3 – QUAL O PROCESSO CRIATIVO PARA O DESENVOLVIMENTOS DOS ROTEIROS DO AMARO CAMARAJIPE? TERRORISTAS SÃO MATÉRIA PRIMA PARA ESSAS IDEIAS?

Não tenho um processo. Quando bate uma ideia, começo a redigir e vou de vez. Às vezes não adiantar tentar bolar alguma coisa quando não quer sair nada. Os terroristas ficaram mais frequentes por causa dos tempos atuais. É o que vemos todos os dias nos jornais. Mas o Amaro também já teve a cota dele de pretensos conquistadores mundiais e cientistas loucos. O próximo vilão vai ser uma mistura dessas duas coisas. Vou deixar a patota do terrorismo descansar um pouco, que ninguém é de ferro.

 

4 – ESSE ANO O AMARO CAMARAJIPE COMPLETA 25 ANOS! QUAL AVALIAÇÃO QUE VOCÊ FAZ DO PERÍODO DE EXISTÊNCIA DA SÉRIE?

Bang Bat!Primeira história publicada na Prismarte (2º fase, edição #4 de 1993)

Bang Bat!Primeira história publicada na Prismarte (2º fase, edição #4 de 1993)

Foram 25 anos difíceis. Para quem faz quadrinhos nacionais, sempre é muito difícil. Nos primeiros anos do Amaro, foi pior. Quase desisti. No início dos anos 2000, comecei a publicar com frequência e isso me animou mais.

Comecei também a fazer as tiras, que foram selecionadas duas vezes para o catálogo e a exposição do Festival GAG da Universidade Federal da Paraíba. Também foram publicadas no jornal O Comerciário, de Guarulhos (SP). A vantagem das tiras é que eu mesmo as desenho. Como são curtas, escrevo algo que dá pra desenhar, sem muita grandiosidade. Além disso, eu basicamente desenho cabeças. São as limitações de não ser um bom desenhista. Mas acho que esse foi um período de muito mais vitórias que derrotas.

O Amaro é razoavelmente conhecido no Estado e na Paraíba e tem quem conheça nas bandas de Rio e São Paulo. Além disso, é o maior vencedor do Prêmio PADA de Incentivo as Quadrinhos Pernambucanos. Com ele, ganhei nove troféus (entre Melhor História, Roteirista, Personagem e Edição). Somando a mais dois de Melhor Desenhista e um de Arte-Finalista, o Amaro ganhou 12! Talves o mais bacana desses 25 anos tenha sido trabalhar com artistas de primeira linha que deram vida a quem eu considero como um parente próximo. eles tornaram realidade as maluquices que pensei.

Acho que uma das melhores partes foi a honra de trabalhar com gente do calibre de Milton Estevam, Jean Galvão, Sandro Marcelo, Luciano Félix, Arnaldo Luiz e Milson Marins, entre outros. E vem mais gente incrível por aí. Pode esperar!

Primsarte62Serviço:
Prismarte # 62 
Capa Colorida miolo em P&B.
32 páginas
R$ 5,00 + R$ 3,00 de correios

Ou pelo Pagseguro


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