Revolução de 1817 quadro a quadro, na versão de Pedro Zenival


Na edição de março da revista impressa, disponibilizamos, em primeira mão, as
páginas iniciais do álbum de quadrinhos 1817 – Amor e revolução, ilustrado por Pedro Zenival, que levou um ano para ser concluído, sendo o primeiro do gênero a ser lançado pela Cepe Editora

Por trás da Revolução de 1817, dos arroubos libertários e da luta pela democracia que Pernambuco capitaneou, paira um romance que, como muitos detalhes desse singular episódio republicano, permanece à margem da história oficial. “É o nossoRomeu e Julieta. Domingos José Martins passou quatro anos namorando escondido com Maria Teodora da Costa e decidiu fazer uma revolução para casar com ela”, explica o jornalista e escritor pernambucano Paulo Santos de Oliveira, autor do roteiro da história em quadrinhos 1817Amor e revolução, um dos lançamentos da Companhia Editora de Pernambuco – Cepe para celebrar o bicentenário do movimento.

A novela gráfica é uma adaptação de A noiva da revolução, escrito por Paulo e publicado em 2007. Com ilustrações de Pedro Zenival Ramos Ferraz, traz uma síntese dos acontecimentos que, a partir de 6 de março de 1817, provocam a erupção da insurgência. Porém, o foco reside na história de amor entre Domingos, 36 anos, um dos líderes da rebelião contra a Coroa Portuguesa, e Teodora, 17, filha de Bento da Costa, um abastado português. Depois de negar a mão da filha por diversas vezes, Bento resolve aceitar o pedido de casamento no dia 8 de março, quando Domingos já era um dos integrantes do governo provisório de Pernambuco.

“Foi o casamento politicamente mais importante da história do Brasil”, observa Paulo Santos de Oliveira. “Apesar de ele ser galã e rico, o pai da moça não permitia antes porque ele era brasileiro. Essa derrubada de preconceito foi importante. Diferente de outros estados, como Bahia e Rio de Janeiro, em Pernambuco, os brasileiros e os portugueses viviam brigando. A união de um pernambucano com a filha de um português rico ajudou a promover uma pacificação. Quando o casamento ocorreu, o povo foi às ruas para comemorar”, completa o escritor.

Para Pedro Zenival, o trabalho de um ano na transposição da linguagem literária foi meticuloso e de extrema dedicação. “Fiz uma pesquisa visual nos livros ilustrados relacionados à época, em especial nos registros da era napoleônica, que condizia com a moda e as vestimentas do Recife daquele momento”, comenta o ilustrador, um dos mais prolíficos colaboradores da Cepe, onde trabalha desde 1987. O resultado é de um apuro imenso e faz de 1817 – Amor e revolução uma leitura obrigatória nesse contexto de resgate de um acontecimento sem comparação na história do Brasil.

Pedro Zenival na Prismarte

Na PADA, Zenival teve a honra de participar colaborando da fase doa anos 90 da Prismarte, mais precisamente a edição Nº04, com a história sobre cangaço, chamada o Golpe da Cascavel, que foi escrita por José Flávio. Em 2008 a PADA concede o prêmio de Honra ao Mérito por sua suas obras, que como um quadrinista pernambucano entre as décadas de 70 e 80, além de outras grandes histórias nas revista Spectro, da editora Grafipar, destacou com história Jesuíno Boa Morte, escrita por Júlio Emílio Braz (que tivemos o prazer de entrevistar na Prismarte .

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