Entrevista com JOSÉ CARLOS BRAGA CÂMARA

O pernambucano JOSÉ CARLOS BRAGA CÂMARA que desenhou a capa da edição 3 das Aventuras do Zé Coruja, dono de um estilo singular e eclético! O “Braga”, que publicou numa edição especial da Prismarte 12 horas de quadrinhos, onde alcançou o 2º lugar neste evento, por sua obra Verde, concedeu uma ótima entrevista para o Blog do Zé Coruja (http://zecorujaeturma.blogspot.com.br/) , contando um pouco da sua trajetória no mundo dos quadrinhos e das ilustrações. Vamos conferir então?

entrevista-Braga

Como foi sua trajetória nos quadrinhos? Poderia nos descrever?

Eu comecei como a grande maioria de nós, lendo os quadrinhos americanos, tanto de super heróis, como de caubóis. Antes de qualquer coisa, era e sou fã dos heróis e suas aventuras, depois passei a admirar os desenhos e querer copiá-los. Sempre quis fazer quadrinhos, mas era isolado, não conhecia ninguém que fizesse de modo independente, e nem sabia o que era um fanzine. Aos poucos fui conhecendo os amigos que tenho hoje, graças a internet, fiquei maravilhado com a quantidade de quadrinhistas profissionais e amadores, que muito me ajudaram. Conheci os amigos da PADA, que produzem a PRISMARTE, e graças a eles, participei do RECIFE 12 HORAS, e do RECIFE 24 HORAS, nas duas eu fiquei em segundo lugar, o que me deixou muito feliz. Ali provei a mim mesmo que poderia fazer hqs, se quisesse. O CAPITÃO ALFA, meu herói espacial, é dessa época junto com outro chamado SORION, o homem solar. O CAPITÃO ALFA estreou em uma hq que foi apresentada por Michelle Ramos do ZINE BRASIL, ela foi inclusive a editora da revista virtual. Meu aprendizado com desenho,arte-final, colorização, e letreiramento é na maioria das vezes resultado da ajuda de grandes amigos, Watson Portela, Marcos Mendes, Sandro Marcelo… só para citar alguns. Aos poucos estou me sentido mais seguro e capaz de produzir quadrinhos sozinho, sem precisar dividir tarefas, embora eu saiba que é muito árduo fazer isto só. Mas pretendo abrir meu caminho.

LORDE LOBOVocê gosta muito de desenhar personagens diferentes dos seus. Principalmente super-heróis! Você gosta de quadrinhos com esses tipos de personagens?

Pra mim é impossível não desenhar super heróis….eu mesmo tenho vários criados por mim, mas que precisamos de ter sua história de estréia, não adianta fazer um personagem e não fazer pelo menos a hq de apresentação dele. Como disse o Alexandre Cozza, O , o personagem só vive quando tem histórias feitas para o público. E é um grande desafio para mim, como desenhista testar minha capacidade, quero sempre ver se me igualo aos profissionais.

Como você conheceu o personagem ZÉ CORUJA?

Através da PADA, me apresentaram algumas hqs e curti, acho que tem muito potencial.

Fiquei muito empolgado e grato com sua maravilhosa capa do Zé Coruja! Você gostaria de desenhar histórias do Zé?

Cara, seria uma honra, assim como foi fazer a arte que acabou virando capa da revista. Eu tenho um grande problema: ás vezes me comprometo com mais coisas do que posso dar conta. Como não vivo de ilustrações, estou buscando transformar essa habilidade em renda, seja com exposições de quadros, que pinto, ou oficinas de quadrinhos, de modo que meu tempo é muito curto, no que diz respeito a produção de qualquer tipo de arte, especialmente quadrinhos, que demandam muito tempo, roteiro, esboço, lápis, arte-final, colorização e letreiramento. Tudo isso estou buscando aprender mais, para fazer todas as minhas histórias e tornar vivo o universo que criei. Se isso vai longe ou não só o tempo dirá, mas certamente que desejo sim, em um futuro próximo fazer uma hq do ZÉ CORUJA!

Você tem personagens autorais?

Sim, embora eu deseje fazer hqs com personagens de outros, acredito que todo quadrinhista tem o desejo de colocar para fora tudo o que tem na sua mente sobre seus personagens, pra mim, não é difícil criar personagens, o difícil é dar vida a eles, com hqs prontas, mas estou correndo atrás da solução deste problema que é a necessidade de otimizar meu tempo.

O que você acha do mercado de quadrinhos nacionais?

Olha, o discurso sobre isso, já vem de tempos, e eu concordo que o mercado para o quadrinho nacional não é fácil…porém, há uma mudança, na minha opinião, na maneira de se ver quadrinhos agora como arte. Infelizmente ainda é a maioria que pensa, se o quadrinho vem de fora, ele é de melhor qualidade que o feito aqui… eu mesmo já pensei assim, hoje reconheço que é um imenso erro, não abrir espaço para as hqs nacionais, de qualquer tipo, na minha estante. O Sidney Gusman, o Sidão, da MSP, mudou muito isso, apresentando o que autores nacionais poderiam fazer com nossos personagens mais famosos. Abriu a possibilidade de vermos nossas hqs com outros olhos, afinal, quem imaginaria a turma da Mônica apresentada na variedade de formas que eles fizeram? De modo que hoje, eu vendo os colegas artistas mandando ver, seja em edições para o mercado estrangeiro ou para o nacional, o importante é :PRODUZA, MUITO E DE QUALIDADE. O resto a internet e o púbico farão, é só achar o rumo certo.

O que você acha que seria necessário para melhorar esta situação?

Produzir em quantidade e qualidade, especialmente qualidade, bons roteiros, desenhos instigantes, cores bem aplicadas, texto bem escrito… Como eu disse, o segredo está em fazer as hqs.

Quais são os seus planos futuros em relação aos quadrinhos?

Otimizar o tempo que já é curto, para produzir, e como não tenho formação profissional, preciso saber fazer toda a edição, tudo que envolve a produção de uma revista de quadrinhos, só que hoje, é melhor, deixar o público conhecer você, seus personagens e suas histórias, disponibilizando na net. Claro que desejo muito ver minhas revistas prontas, impressas, e nas mãos dos leitores, mas isso é um passo ainda para a frente. Se o quadrinho for bom, de qualidade, haverá alguém disposto a publicá-lo, mas por enquanto, desejo contar histórias, e fazer com que os leitores as amem de verdade, assim como nossos olhos brilham quando compramos uma revista com um personagem que curtimos. Então hoje eu quero me capacitar de verdade, e produzir os meus quadrinhos e ajudar os amigos a fazerem os seus se possível.

 

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1 Response

  1. July 25, 2017

    […] Nicodemos. Mas tinha outras feras que brilham nos quadrinhos e pernambucanos: José Carlos Braga (Entrevista com JOSÉ CARLOS BRAGA CÂMARA), Henrique […]

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