CAPA, uma das primeiras publicações de quadrinhos independentes, faz 40 anos e comemora com festa em SP

Conheça a história da revista de quadrinhos idealizada por um grupo de jovens em 1976

Elas já foram chamadas de quadrinhos “underground”, “udigrúdi”, fanzines, zines, publicação alternativa, entre outros. Hoje são conhecidas como quadrinhos independentes. Claro que cada publicação tem suas características próprias e finalidades específicas, mas são basicamente obras publicadas pelos próprios autores, sem relação direta com as editoras. Durante as últimas quatro décadas, se tornaram porta de entrada no mercado editorial e possibilitaram a profissionalização da maioria dos quadrinistas que surgiram.

Atualmente, o mercado brasileiro de quadrinhos independentes cresce de forma sólida e constante graças às iniciativas de financiamento coletivo, de leis de fomento à produção ou de pequenas editoras que incentivam a produção nacional. É só conferir os números da última Comic Con Experience (CCXP), o maior evento de cultura pop do país, que reuniu mais de 460 artistas, entre grandes nomes dos quadrinhos e novos talentos, dispostos em mesinhas no Artists Alley, o tradicional Beco dos Artistas.

Uma das primeiras publicações independentes de quadrinhos no Brasil foi a revista CAPA. Ela começou a surgir em meados de 1976, quando um grupo de alunos da Universidade Mackenzie, formado por Gualberto Costa (Gual), Antonio Barreto (Toninho), Ricardo Dantas (Cadinho), Ricardo Van Steen e Luiz Antonio Cruz resolveu criar uma revista de quadrinhos.

capa-03O grupo tinha em comum o gosto pelo desenho e a admiração pelos quadrinhos. A influencia maior foi a experiência pioneira da revista O Balão, criada por Laerte Coutinho e Luiz Gê, dupla que no início dos anos setenta, abriu as portas para o “faça você mesmo”. Com isso, o grupo decidiu trilhar o mesmo caminho para romper com o modelo de quadrinhos vigente à época.

O Balão era vendido de mão em mão pelos próprios autores ou era deixado em consignação em algumas poucas e raras livrarias especializadas. Suas histórias em quadrinhos deixaram de ser direcionadas exclusivamente para o público infantil ou adolescente e adquiriram conteúdo crítico, iniciando a gênese dos modernos quadrinhos adultos brasileiros.

Assim, segundo Gualberto Costa (Gual), atual presidente do Instituto do Memorial das Artes Gráficas do Brasil (Imag), “o primeiro passo foi procurar os veteranos da revista Balão, que estudavam na universidade (Sian, Alcy, Miadaira, Mauricio Moura, Magnani e Dirceu Amadio), mas infelizmente já tinham se formado. Nós juntamos, então, mais dois jovens com os mesmos ideais que não estudavam lá (Willians Miguel e Gino Sérgio) e, no inverno de 1976, fizemos a primeira revista CAPA, a de nº Zero, com apoio financeiro do Diretório de Arquitetura”.

Feito isso partiram pelas ruas de São Paulo, em portas de teatro, cinemas, barzinhos, faculdades, vendendo a revista de mão em mão. O objetivo era vender toda a edição para bancar a próxima. Com o dinheiro em caixa e com um grupo um pouco maior, arregaçaram as mangas e começaram a fazer a nº 1, que teve a participação especial de Chico Caruso e Claudius do Pasquim, sendo lançada em 1977.Em 1978, saiu a nº 2 e no ano seguinte, a nº3. Contaram com a participação especial de Sian, Xalberto, Lu Gomes e Bob Navarro, além de publicarem pela primeira vez os trabalhos de artistas, hoje consagrados, Maringoni, Caó e Cesar Lobo.

Nessa época duas novas experiências aconteceram, lembra o Gual, “organizamos a primeira exposição de quadrinhos independentes no Brasil e começamos a vender não só a nossa revista, como outras independentes de vários estados, em uma mesinha nas feiras da Vila Madalena”.

Em 1980, depois de uma acirrada partida de futebol entre as equipes do Balão e da Capa, mesmo pronta, a revista nº 4 acabou não saindo e cada um foi para o seu lado, seguindo rumos diferentes.

CAPA, uma das primeiras publicações de quadrinhos independentes

Partida de futebol entre as equipes das revistas O Balão e Capa, em janeiro de 1980. Em pé, da esquerda para a direita: Gino, Cruz, Gual, Willians. Agachados: Cadinhos Xavier e Toninho | © Gualberto Costa

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